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Entre 2017 e 2018, o número de novas empresas cresceu 14%, segundo a Boa Vista Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), que se baseou em dados nacionais da Receita Federal. É provável que o desemprego alto seja decisivo para explicar a criação de grande parte dessas empresas, em especial quando se sabe que muitos daqueles que não encontram ocupação são pessoas com boa qualificação profissional e aptas, em tese, a abrir um negócio próprio. No período, foi mais intensa a abertura de companhias nas regiões mais desenvolvidas: Sudeste (+15,6%) e Sul (+14,9%). Não se trata de fenômeno novo. Em 2017, o avanço do número de novas empresas havia sido de 13,6% em relação a 2016. Tanto em 2017 como em 2018 houve absoluto predomínio da abertura de empresas de serviços, que representaram, respectivamente, 55,8% e 58,7% do total de novas companhias. Porcentual não muito diferente (55,6%) também havia sido registrado em 2016. A maioria absoluta das novas empresas (77,3%) criadas em todo o País foi constituída sob a forma de MEI (microempreendedor individual). Isso reforça a hipótese de que se trata de iniciativa de trabalhadores que perderam o emprego e decidiram se lançar numa atividade empresarial, correndo os riscos previsíveis. Não se pode afirmar que o aumento da abertura de companhias correspondeu a um aumento do número total de empresas em atividade no País. A cada ano, centenas de milhares de companhias são abertas e fechadas. Os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de outubro de 2018, mostraram que no triênio 2014/2016 houve uma diminuição do total de companhias estabelecidas no País. Em 2016, em termos líquidos, cerca de 70 mil companhias foram fechadas. Não se sabe qual o impacto da recessão sobre a abertura e o fechamento de empresas. Será preciso, portanto, esperar algum tempo até que se avalie se a recuperação econômica visível desde 2017 já vem propiciando uma elevação do número de empresas em atividade. O empreendedorismo, fator relevante para o emprego e a prosperidade, está presente no País. Certamente, a força do empreendedorismo seria mais visível na presença de condições favoráveis, como educação de qualidade, menos tributos e facilidades para abrir e fechar negócios. (Fonte: Estadão)